quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Nossa Senhora das Maravilhas


Nossa Senhora das Maravilhas
Mariana Morazzani Arráiz - 2013/04/05

"Maria produziu, com o Espírito Santo, a maior 

maravilha que existiu e existirá: um Homem-Deus;
 e Ela produzirá, por conseguinte, as coisas mais 
admiráveis que hão de existir nos últimos tempos"
 (São Luís Grignion de Montfort).
Mariana Morazzani Arráiz
São inumeráveis as maravilhas operadas pela Mãe de
 Deus ao longo desses vinte séculos de História da Igreja.
Com razão, pois, o povo fiel, entre centenas de outros
títulos, invoca a Imaculada Esposa do Espírito Santo
como Senhora das Maravilhas.Quando brotou da alma católica
 essa invocação? Sabemos que ela já existia pelo menos
desde as primeiras décadas da descoberta da América.

l


Na Catedral de Salvador, Bahia
Quando, em 1552, aportou na Bahia o primeiro Bispo do
Brasil, Dom Pero Fernandes Sardinha, trazia ele uma preciosa
 imagem de Nossa Senhora das Maravilhas, presente do Rei Dom
 João III à recém-descoberta Terra de Santa Cruz.

Concluída a construção da Catedral da Sé de Salvador em 1624,
seu Bispo, Dom Marcos Teixeira, entronizou na principal capela
 lateral a imagem de Nossa Senhora das Maravilhas, onde a Mãe
 de Deus passou a acolher com benevolência todos quantos a Ela
vêm pedir auxílio.

Poucos anos depois de ser entronizada nesta capela, o Menino
Jesus que ela traz nos braços foi sacrilegamente furtado, quebrado
 em vários pedaços, lançado no lixo da cidade, onde foi depois
 encontrado, faltando uma das perninhas. Uma mulher ao
procurar lenha encontrou esta perninha, e não sabendo o que
era, lançou-a no fogo. Oh, maravilha! Para admiração da mulher,
aquele pedacinho de madeira saltou para fora do fogo, sendo
preservado. Deste modo se pôde restaurar o Divino Menino que
 foi devolvido aos braços da Mãe, com muito grande devoção.
O "estalo" do Padre Antonio Vieira
Por meio dessa imagem, o Senhor tem operado muitos e
grandes milagres. Um dos mais conhecidos deu-se com o famoso
 Padre Antonio Vieira.

Tendo vindo menino para o Brasil, iniciou ele seus estudos no Colégio
 dos Jesuítas na Bahia. Nos primeiros tempos não passava
de estudante medíocre, mal compreendendo as lições, a ponto
 de pensarem os superiores em dispensá-lo do Colégio.

Em seu grande desejo de ingressar na Companhia de Jesus, certo
 dia, já quase desesperado com sua dificuldade nos estudos, fo Vieira
 suplicar auxílio aos pés da Senhora das Maravilhas. No meio
da oração, sentiu como um "estalo" em sua cabeça, acompanhado
 de uma dor muito forte que o prostrou por terra, dando-lhe a
 impressão de que ia morrer. Ao voltar a si, deu-se conta de
 que aquelas coisas que antes pareciam inatingíveis e obscuras
à sua inteligência, tornaram-se claras. Assim, Vieira percebeu a enorme
transformação ocorrida em sua mente.

Ao chegar ao Colégio, pediu que o deixassem participar das
 disputas com os colegas. Para espanto dos mestres, venceu
todos os companheiros com o brilho de seu raciocínio. Daí por diante
 foi o primeiro e mais distinto aluno em todas as disciplinas, tornando-se
um dos maiores oradores sacros e escritores da língua portuguesa.
Devoção na Espanha: o Menino Jesus das Maravilhas
Na Capital espanhola, o nome de Nossa Senhora das Maravilhas
tem sua origem em fatos encantadores e poéticos, próprios à Virgem
das Virgens.

Passeando pelo jardim de seu convento num dia de 1620, algumas
 fervorosas freiras carmelitas descobriram uma imagem do Menino
Jesus recostada sobre um tufo de flores conhecidas pelo nome de
 maravilhas.

Cheias de surpresa, não sabiam elas o que mais admirar, se o
diminuto tamanho do Menino, de apenas sete centímetros, se
sua extrema formosura, ou se as circunstâncias em que foi
descoberto. Com grande alegria e devoção, levaram- no para
 a capela, onde lhe improvisaram um altar ornado com as flores
 irisadas de amarelo e alaranjado, sobre as quais havia sido encontrado.

E começaram a invocá- lo como o Menino Jesus das Maravilhas.
Uma antiga imagem de Maria
Poucos anos depois, chegou a Madri uma antiga imagem da Virgem,
 cuja origem também está envolta nas brumas da história.

Consta ser ela do século XIII. Em 1585, estava exposta à veneração
dos fiéis no povoado de Rodasviejas, mas em tão deplorável estado
 de conservação que o Bispo de Salamanca mandou retirá-la da
igreja. Alguns paroquianos, entretanto, não se conformaram com
 essa decisão. E um deles obteve autorização para ficar com a imagem
 em sua própria residência.

Tinha porém a Santíssima Virgem desígnios admiráveis a respeito
 dessa sua imagem. Após algumas vicissitudes, foi ela parar em Madri,
 tornando-se propriedade de Ana Carpia, esposa do escultor
 Francisco de Albornoz, o qual a restaurou na perfeição.

À residência desse católico casal começaram a afluir, em número
 cada vez maior, vizinhos e conhecidos para rezar diante dessa imagem,
pois correra a notícia de que ali a Mãe de Bondade concedia favores a
seus devotos.

Um estupendo milagre tornou-a famosa na cidade inteira. Numa
 lamentável explosão de ira, um caçador apunhalou brutalmente um
 jovenzinho das vizinhanças, deixando-o meio morto. A mãe do
 menino foi correndo prostrar-se diante da imagem, implorando a
 Nossa Senhora a cura do filho. Pouco depois, ficou ele totalmente
são e salvo.

Diante desse prodígio, seguido de muitos outros, o Vigário Geral da
 Diocese ordenou a Ana Carpia que entregasse a imagem a alguma
 igreja. Como se vê, a própria Mãe de Deus se ocupou de, por meio
de milagres, recuperar para essa sua imagem um trono em algum
 edifício sagrado. Para qual igreja levá-la?
No mosteiro das carmelitas
A senhora Carpia decidiu escolher, mediante sorteio, um dos quatro
conventos carmelitas então existentes em Madri. A sorte recaiu sobre
 o mosteiro onde aparecera anos antes o Menino Jesus das Maravilhas.

Assim, em 17 de janeiro de 1627, Ana Carpia e seu esposo fizeram
 lavrar em cartório o ato de doação da milagrosa imagem às freiras
 carmelitas. No dia 1º de fevereiro desse ano, foi ela transladada
 para o mosteiro em solene procissão, assinalada por um significativo
 fato: durante todo o trajeto, uma branca pomba sobrevoou a
 imagem e entrou com ela no interior da ermida, onde se deixou
 colher pelas monjas. Estas a consagraram à Virgem no dia
seguinte, 2 de fevereiro, festa da Purificação de Maria, e a retiveram
 no convento.As freiras ornavam
 as mãos sagradas da imagem com as flores chamadas de maravilhas
. em certo momento, uma delas teve a inspirada idéia de colocar sobre
 essas flores a minúscula imagem do Menino Jesus das Maravilhas, o qual
 adquiriu especial encanto posto nesse trono floral. Com isto, a Mãe
 acabou tomando o nome do Filho: Nossa Senhora das Maravilhas.
 É esta a origem do belo nome da imagem venerada em Madri.
O manto de Nossa Senhora cura o Rei Felipe IV
Em 1639, atacado por conspiradores, ficou o rei gravemente ferido.
 A notícia comoveu toda a corte. Ordenaram- se orações em todos
 os templos pela saúde do rei, especialmente na ermida da Senhora
 das Maravilhas.

A rainha Mariana d'Áustria pediu às carmelitas um manto da Virgem
 para colocá-lo sobre o leito do monarca. Apenas foi colocado, com
 grande surpresa para todos, o rei perguntou à rainha: "O que
 pusestes sobre mim, que me encontro inteiramente bem?"

Em gratidão por tão grande favor da Virgem das Maravilhas, o
rei mandou construir às suas expensas a atual igreja, inaugurada
 em 1646. Ademais, criou um patronato presidido pela rainha e
vários personagens da corte, com a obrigação de dotar o
convento das Maravilhas com uma renda anual. O rei muitas
vezes ia fazer exercícios espirituais com as carmelitas, dizendo
que "lhe davam alentos para o exercício de seus altos deveres de Estado".
Prodígios da Virgem das Maravilhas
Além da cura do rei e do menino moribundo, muitos outros fatos
extraordinários aconteceram ao longo da história desta imagem.

Em 12 de agosto de 1675 armou-se uma grande tempestade durante
 o canto da Salve Rainha, entrando na igreja uma fagulha de um
 raio que causou dano a várias pessoas, entre elas uma menina
 de três anos que ficou como morta. Aflito, seu pai a tomou nos
 braços e a pôs sobre o altar da Virgem, implorando misericórdia.
 Surpreendentemente, aos poucos, a menina voltou a si como se
 nada tivesse acontecido.

E em 1689, um pintor que estava trabalhando na abóbada da
 igreja, caiu sobre as pedras do presbitério, parecendo morto
. Ante a invocação da Virgem e a aplicação de uma sua estampa,
voltou a si e foi para sua casa andando normalmente.
                                                                           * * *
Invocação mais bela e sugestiva não poderíamos sugerir a nossos
 leitores neste início de 2005, que se anuncia tão borrascoso.
 Peçamos assim a Nossa Senhora que o transforme em "Ano da
s Maravilhas", inundando a Terra com as torrentes da graça de qu
e Ela é cheia, fazendo triunfar de maneira fulgurante o seu Imaculado
 Coração, abrindo para a humanidade, o quanto antes, uma
 nova era dos esplendores mariais. (Revista Arautos do Evangelho,
 Fev/2005, n. 38, p. 34 à 36)

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